<data>
<row _id="1"><Texto Original>Um panorama da caça de javalis no Brasil.</Texto Original><Traducao>Nikarõ panorama Ye'sea wehẽse Brasilpɨ</Traducao></row>
<row _id="2"><Texto Original>Considerada uma das 100 piores espécies exóticas invasoras pela União Internacional para a Conservação da Natureza, o javali é responsável por causar impactos de ordem ambiental, econômica e sanitária.</Texto Original><Traducao>Considera no'sama 100 ñarã espécies exóticas sahãrã União Internacional Nɨ'kɨ̃ conserva sere, Kɨ̃ ye'se  responsável nisami tee impacto keoro ambiental nibokere, econômica sanitária me'rã.</Traducao></row>
<row _id="3"><Texto Original>Há registros de sua presença no Brasil há pelo menos 100 anos, mas é a partir da década de 1980 que se alastra a população desse animal, sobretudo na região sul do país.</Texto Original><Traducao>Nisa naa registro nisetiro Brasilpɨ 100 kɨ'marĩ wa'tero, 1980 nikã tii décadare  naa wai'kɨrã purõ buhapã, tii ta'tia sul do pais pɨ.</Traducao></row>
<row _id="4"><Texto Original>Os principais impactos causados por javalis são: prejuízos à produção agropecuária; competição por recursos com espécies nativas e sua predação; destruição de nascentes; revolvimento do solo; e alteração da vegetação, além da possibilidade de transmissão de doenças como a peste suína clássica e a febre aftosa.</Texto Original><Traducao>Tee princiais ye'sea naa ñarõ wa'kã wese nisa:  apropecuária ñarõ produzisé, tunɨrũrõ recurso tokharã espécie nativas me'rã naa wehẽ baro; marĩ po'teri dohorẽse, di'ta aubase, vegetação dohose, a'petore do'atise kɨosama a'te peste ye'sea clássica wuhaké aftosa.</Traducao></row>
<row _id="5"><Texto Original>Devido a esses impactos, em 2013 o Ibama publicou uma normativa que decreta a nocividade do javali em todo território nacional e autoriza o controle populacional da espécie por meio de “perseguição, abate e captura seguida de eliminação direta de espécimes”.</Texto Original><Traducao>Tee impacto me'rã, 2013 nikã Ibama publicapã nikarõ normativa du'tipã ye'sea ñarã nipe'tiró território nacional thowero autorizapã tii espécie controle kɨoro narẽ " sirutuse", narẽ tohota wehẽkoã  tiii espécimes".</Traducao></row>
<row _id="6"><Texto Original>Convencionou-se chamar todos esses métodos de caça, uma atividade que vem dividindo opiniões de diversos setores.</Texto Original><Traducao>Tee método wehẽsere wame yepã, tee naa opiniõ dɨ'ka wa'tikã wepã pehe setores.</Traducao></row>
<row _id="7"><Texto Original>Neste artigo, exploro um pouco da complexidade acerca do tema da caça de javalis no Rio Grande do Sul a partir da pesquisa de doutorado que venho desenvolvendo.</Texto Original><Traducao>A'ti artigo, o'mã nikarẽ complexibilidade tii tema ye'seare wehẽse ka'se Rio Grande do Sul pɨ tee pesquisa de doutorado me'rã tere mii wa'kõgɨ.</Traducao></row>
<row _id="8"><Texto Original>Um dos principais problemas que se apresentam em relação à caça de javalis é a desinformação em muitos níveis.</Texto Original><Traducao>Tee principais ñarõ nise buhase naa ye'sea wehẽse ka'se nii keoro wereyise pehe níveis.</Traducao></row>
<row _id="9"><Texto Original>No ano de 2021, notícias veiculadas na imprensa nacional apontam o aumento do acesso a armas associado ao cadastro de pessoas como caçadores.</Texto Original><Traducao>2021 kɨ'ma nikã, ki'ti wiorẽke imprensa nacional ka'se ñosa pe'kapawɨri kɨose bɨ'kɨapã oha o'õse masã naa weherã weronu.</Traducao></row>
<row _id="10"><Texto Original>O problema que se apresenta diante dessa situação é que não há informação suficiente sobre as etapas posteriores ao processo de cadastramento de caçadores.</Texto Original><Traducao>Tii problema nisa ti situação  wa'tero iformação ni'petise marĩsa be'ro k'ase etapa ma'sã wehẽ bara cadastro.</Traducao></row>
<row _id="11"><Texto Original>Segundo a normativa do Ibama, a cada trimestre os caçadores devem preencher um formulário no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), registrando a propriedade onde realizam a caça – ou a atividade de manejo –, bem como a quantidade de javalis abatidos, entre outras informações pertinentes.</Texto Original><Traducao>Ibama na werekepɨ, i'tia muhĩpũ pe'tikã ma'sã wehẽ barã preencher ma'sĩma nikãrõ formulário  Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf) me'rã, oha o'õra tii propriedae no'o wehẽ baro nirõ -  no'o tii ativiade de manejo nirõ-, dikerã naa ye'sea wehẽ no'orã, a'peye informações nii nemosé.</Traducao></row>
<row _id="12"><Texto Original>A partir desse registro de dados seria possível obter informações sobre a situação da caça e do controle no país, estabelecendo conexões entre os números de caçadores cadastrados e de javalis abatidos.</Texto Original><Traducao>Tii registro de dados  me'rã  tee informações bo'kase ba'siopã tee naa wehẽsetise controle país ka'se, dikerã waikɨrã wehẽbarã cadastra no'okarã  dikerã ye'sea wehẽ no'okarã</Traducao></row>
<row _id="13"><Texto Original>No entanto, a adesão ao Simaf tem-se mostrado falha.</Texto Original><Traducao>Toho weró, tii adesão Simaf pɨ keoro wetipã.</Traducao></row>
<row _id="14"><Texto Original>Muitos caçadores relatam a dificuldade de alimentar esse sistema em função da burocracia e informatização, uma vez que muitos deles são mais velhos e não dominam o uso de tecnologias.</Texto Original><Traducao>Pahãrã waikɨrã weherã relatapã ba'se bo'karo ba'sitiro tii sistema  tee burocracia were wirõse me'rã, naa wa'teró paharã nisama bɨ'kɨrã tecnologia de'ro usa sere ma'sĩti sama.</Traducao></row>
<row _id="15"><Texto Original>Além disso, muitos outros acabam caçando de forma irregular por não dar conta de atender à burocracia.</Texto Original><Traducao>A'peye tha, paharã keoró wehẽba tisama tee burocracia keoro wetirã.</Traducao></row>
<row _id="16"><Texto Original>Ambas situações impactam diretamente na geração de dados, o que depende inteiramente do que consta no Simaf.</Texto Original><Traducao>Pɨaro situsções pɨta keoro wa'kã wetisa naa geração de dados pɨre, dependesá Simafpɨ niseré.</Traducao></row>
<row _id="17"><Texto Original>Uma situação similar ocorreu na região da Catalunha, na Espanha, no ano de 2022.</Texto Original><Traducao>Nikarõ situação toho bahuró wa'pã região da Catalunhapɨ, Espanhapɨ, 2022 kɨ'ma nikã.</Traducao></row>
<row _id="18"><Texto Original>Devido a uma normativa espanhola que exigia que caçadores notificassem antecipadamente a localização da caça por um sistema de coordenadas geográficas, os caçadores decidiram entrar em greve.</Texto Original><Traducao>Nikarõ normativa espanhola du'tipã naa waikɨ̃rã weherãrẽ were mɨtarõ no'o wehẽrã sari nikarõ sistema de coordenadas geográficas me'rã,naa waikɨrã weherã greve sahã wapã.</Traducao></row>
<row _id="19"><Texto Original>Segundo eles, havia muita dificuldade em atender a tal demanda tanto pelos mesmos motivos de caçadores idosos não dominarem o uso de tecnologias mais complexas, como o sistema de coordenadas, quanto por não poderem precisar o local da caça com antecedência, o que é definido, praticamente, no momento do ato.</Texto Original><Traducao>Naa nipã, dificuldade niwaropã narẽ atendesé naa waɨkɨrã wehẽrã bi'kɨrã tecnologia merĩtipã pehe niseré, tee sistema coordeñadas nise, naa local waikɨrã weherõ  keo ma'sĩtise  too dɨ'poró, defini no'sa, praticamente ̃, naa toho weriteró.</Traducao></row>
<row _id="20"><Texto Original>No Brasil, a ideia de uma greve de caçadores pode soar como algo de baixíssimo impacto, considerando a incipiência da regulação governamental dessa atividade em relação à Espanha.</Texto Original><Traducao>Brasil pɨre, naa waikɨrã weherã  greve wesirĩkã  impacto marĩsa,  tee regulação governamental  atividade ka'se  Espanha me'rã i'ña poteokã.</Traducao></row>
<row _id="21"><Texto Original>É válido destacar, no entanto, que o governo espanhol prontamente se mobilizou para atender às demandas dos caçadores e encerrar a greve.</Texto Original><Traducao>Tee válido nisa, no entanto, kɨ̃ wiogɨ espanhol naa toho wekãta narẽ waikɨrã weherã  atendepĩ toho wee tii greve pe'tiapã.</Traducao></row>
<row _id="22"><Texto Original>Isso porque se reconhece o prejuízo obtido com a paralisação da caça.</Texto Original><Traducao>Toho wegɨ reconhecepĩ prejuízo bo'kakere tita waikɨrã wehẽse paralisa no'kere.</Traducao></row>
<row _id="23"><Texto Original>É nesse sentido que ressalto a importância da produção de informação, pois para adotar medidas mais efetivas são necessários dados concretos da situação.</Texto Original><Traducao>Tii sentido me'rã importância ressalta sami tee produção de informaçãorẽ, tee medidas tu'tua pe'sase kɨoró tee dados tii situação ka'se.</Traducao></row>
<row _id="24"><Texto Original>Estima-se que apenas na região da Catalunha haja por volta de 200.</Texto Original><Traducao>Keoñapã tii ta'tia Catalunha nisama 200 wa'teró.</Traducao></row>
<row _id="25"><Texto Original>000 javalis, sendo que anualmente são caçados 50.</Texto Original><Traducao>000 ye'sea, kɨ'marĩ nɨ'kɨ̃  50 waró wehẽ no'õsama.</Traducao></row>
<row _id="26"><Texto Original>000, isto é, 25% da população total estimada.</Texto Original><Traducao>000, isto é, 25% nipe'tirã população keo no'opã.</Traducao></row>
<row _id="27"><Texto Original>Com a greve dos caçadores, a expectativa era de que a cada semana 4.</Texto Original><Traducao>Tee greve wikɨrã wehẽrã me'rã,  expectativa nipã 4 semararĩ di'ta.</Traducao></row>
<row _id="28"><Texto Original>000 javalis deixassem de ser caçados, agravando a superpopulação da espécie no país.</Texto Original><Traducao>000 ye'sea wehẽ no'ña marĩrã sama, agravapã superpopulação tii espécie tii país pɨre.</Traducao></row>
<row _id="29"><Texto Original>Além dos impactos já mencionados à produção agropecuária, ao meio ambiente e os riscos sanitários, na Espanha os javalis também têm avançado em zonas periurbanas, alimentando-se de lixos e restos de comida, inclusive atacando pessoas em busca de alimentos.</Texto Original><Traducao>Tee impacto nii nemorõ naa produção agropecuária, tii meio ambiente sanitários ñarõ wa'a bose,  Espanhapɨ naa ye'sea ehapã zonas periurbanaspɨ, ba'se ñase koãke ba'a dɨake, toho nikã ma'sarẽ kurĩpã ba'se o'makãrã.</Traducao></row>
<row _id="30"><Texto Original>A partir de minha pesquisa de doutorado pude acessar e estreitar o diálogo com caçadores dos dois países, acompanhando as atividades da caça in loco e compreendendo a realidade desse cenário.</Texto Original><Traducao>Tii pesquisa doutorado khãrõ me'rã acessaró ehawɨ ukũse ehawɨ naa wɨkɨ̃rã weherã pɨa países khãrã, naa me'rã i'ña ku'sia wehẽse in loco compreendegɨ tii realidade cenário nirõrẽ.</Traducao></row>
<row _id="31"><Texto Original>É fato que a caça não se trata de uma atividade exclusivamente voltada ao controle de javalis.</Texto Original><Traducao>Tee nisa waikɨ̃rã wehẽse nitisa nikarõ atividade  keoro nirõ naa ye'seare controlasé nirõ.</Traducao></row>
<row _id="32"><Texto Original>Muitos caçadores, tanto no Brasil quanto na Espanha, relatam que é uma conciliação entre um hobby e uma necessidade.</Texto Original><Traducao>Phãrã waikɨrã weherã,  Brasilpɨ Espanha khãrã, werepã naa conciliasé wa'teró hobby naa necessidade.</Traducao></row>
<row _id="33"><Texto Original>Esse é um dos pontos para nos atentarmos ao falar sobre caça.</Texto Original><Traducao>Tee nii pontos keoro marĩ atentasé tee waikɨrã wehẽse ukũ si'rĩkã.</Traducao></row>
<row _id="34"><Texto Original>Não é possível tomar como fato apenas o controle ou apenas o hobby, mas entender que ambos caminham juntos.</Texto Original><Traducao>Marĩsa tii fato controle diakhɨ̃ nirõ hobby me'rã diakhɨ̃, tɨ'oñarõ nisa tee pɨaro nikarõ me'rã sihasa.</Traducao></row>
<row _id="35"><Texto Original>Aqueles que olham a caça apenas pelo viés de hobby ou atividade esportiva tendem a considerá-la um aspecto negativo, alinhando-se a movimentos de defesa animal ou mesmo em debates sobre o desarmamento.</Texto Original><Traducao>Noã tee waikɨrã wehẽse i'ñarõ hobby wero nuhũ toho nikã tee atividade a'pese considera no'sa nikarõ aspecto negativo, tee movimento waikɨrã ka'motarã tee ukũse desarmamento ka'se.</Traducao></row>
<row _id="36"><Texto Original>Contudo, assim como qualquer outra atividade, não é seguro generalizar o coletivo baseando-se em alguns indivíduos.</Texto Original><Traducao>Toho weró, no'o nirĩ atividade wero nuhũ, ba'siowe generalizaró ni'petirã pehe terãkã me'rã.</Traducao></row>
<row _id="37"><Texto Original>Boa parte dos caçadores de javalis, tanto no Brasil quanto na Espanha, são produtores rurais diretamente impactados pelos danos causados pelos animais, e essa é uma realidade a ser considerada.</Texto Original><Traducao>Nikarẽrã ye'seare wehẽrã, Brasil khãrã Espanha me'rã, produtore rurais nisama waikɨrã naa ñarõ wekã impacta no'rã, tii realidade nii consideraró.</Traducao></row>
<row _id="38"><Texto Original>Por fim, o apelo que se faz, mais uma vez, é para a produção de informação sobre o tema em todas as suas esferas e para a desburocratização do processo que muito tem dificultado a obtenção de informações.</Texto Original><Traducao>Nii tɨoro, serĩse nisa, a'pa turi,  informação produzisé  tii tema nipe'tise esferas  desburocrarizaró  tii processo ba'siotisa informações bo'ka sirĩkã.</Traducao></row>
<row _id="39"><Texto Original>É necessário conhecer a dimensão dos danos causados pelos animais, assim como também é necessário conhecer a situação e a efetividade do controle realizado pelos caçadores.</Texto Original><Traducao>Tee ma'sĩrõ nii waikɨrã naa dohorẽse , toho weronuta ma'sirõ nisa tii situação  naa efetividade controle waikɨrã weherã da'rase.</Traducao></row>
<row _id="40"><Texto Original>Somente com um amplo e detalhado conhecimento do cenário envolvendo a caça do real é que os diversos setores poderão dialogar visando uma melhor regulação da atividade.</Texto Original><Traducao>Toho wekã pehe ma'sĩse detalha no'ke tii cenário me'rã waikɨrã wehẽse keoro nirõ tee pehe setores ukũrã sama tee controle naa waikɨrã wehẽrã.</Traducao></row>
<row _id="41"><Texto Original>Sarah Moreno é doutoranda em Antropologia Social e pesquisa sobre as relações entre humanos e animais considerados pragas e/ou nocivos em contextos rurais e urbanos.</Texto Original><Traducao>Sarah Moreno nisamo doutoranda Antropologia Social ka'se  pesquisá samo relações masã waikɨrã ka'sere  considera no'sa praga  tee contexto rurais urbanos me'rã.</Traducao></row>
<row _id="42"><Texto Original>É membro do grupo de pesquisas Humanimalia.</Texto Original><Traducao>Membro nisamó tii kurá pesquisas werã Humanimalis khãrã.</Traducao></row>
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