<data>
<row _id="1"><Texto Original>Os heróis que espalharam a capoeira pelo mundo - e influenciaram até o breaking.</Texto Original><Traducao>Nhema poraei i naügü na guü i natchiüanegu capoeira a putchigaegüü - nhu'mata brackingwa na nanguegü</Traducao></row>
<row _id="2"><Texto Original>O Brasil não terá representantes na disputa de breaking nos Jogos de Paris, mas capoeiristas brasileiros tiveram um papel importante na consolidação do esporte que fará sua estreia em Olimpíadas nesta sexta-feira (9/8).</Texto Original><Traducao>Nhema nhagütaegü i Pariwa ngupetüüwa rü Brasirüta natauma i norü representante i nhema ügü i breakingguaegaüwa notürü nhema brasilcü'ãgü i capoeiragÜ rü wüi taütchii popera nüna nhemagü na nawe'gü i nacümagü nheguma a tchou'gu i yicaacu arü nguneügu (9/8) i Olimpíadawa</Traducao></row>
<row _id="3"><Texto Original>No fim dos anos 1970 e início dos 1980, os capoeiristas baianos Jelon Vieira e Loremil Machado viviam em Nova York, onde davam aulas de capoeira e se apresentavam em shows.</Texto Original><Traducao>1970 arü gu'gu rü nhu'matchi 1980 arü ügügu nhema capoeiragü i bahiacüa'gü Jelon Vieira nhu'matchi Loremil Machado rü Nova Yorwa na mãe ngeta capoeirangu' i'naãgüüwa nhu'matchi ngeta nügü i'awe'güüwa</Traducao></row>
<row _id="4"><Texto Original>Uma amiga então os convidou a se exibir em uma escola pública no Bronx, bairro nova-iorquino considerado o berço moderno do breaking.</Texto Original><Traducao>Wüine ya ngu'epataü ya gueca'ma iinünewa i Bronxwa wüie ya namücü nüna tau na nügü na we'güüca' i nhema i wüi natchi'ca i nova-iorquinogu ãegaüwa wüi natchi'ta i ngewa'ca'wü i breakingarü</Traducao></row>
<row _id="5"><Texto Original>"Era uma área bem perigosa", conta à BBC Jelon Vieira, hoje com 71 anos.</Texto Original><Traducao>Yeguma rü wüi natchi'ca aurima nawa' i muüni, nhaü i BBC Jelon Vieira, nhu'ma nüna nhemaü i 71 ya taunecü</Traducao></row>
<row _id="6"><Texto Original>Ele diz que os alunos - na maioria negros ou latinos praticantes de breaking - assistiram em êxtase à apresentação de capoeira, misto de dança e luta legado por africanos escravizados e seus descendentes no Brasil.</Texto Original><Traducao>Nüma nü auguã i nguetanügü - nhema rü mumaeü breaking ügüü rü nhema i wagüüni rü nhu'matchi latinogüni - rü porããcü capoeira arü we'i narü daunü, erü nhemarü rü wüi yüü rü nhu'mtchi dai' i nama ãeiü i yiema africano ya escravizadogüegücümama rü nhu'matchi nhema Brasilcüã'gücümama</Traducao></row>
<row _id="7"><Texto Original>"Loremil era fantástico", diz Jelon sobre as habilidades de seu parceiro, morto em 1994.</Texto Original><Traducao>"Loremil rü nheguma rü wüi duuü meümani", nhaü a Jelon na namücütchiga na ya deaü, ya yu'cü i 1994gu</Traducao></row>
<row _id="8"><Texto Original>"E ele era muito bonito. [Vendo] o corpo dele, dava pra estudar anatomia.".</Texto Original><Traducao>"Yeguma nümarü wüi ya yatü ya mecü'rãücüni. [nüi dawenü'gu] nhema naüne, rü nametchiegaü nheguma naca' i ngü i anatomiawa</Traducao></row>
<row _id="9"><Texto Original>Jelon diz que os estudantes ficaram impressionados com os movimentos e, após a exibição, tentaram imitá-los.</Texto Original><Traducao>Jelon nü i'ugu rü nhema ngu'etanügü rü nhema uãcüma na ba'iãtchie nhu'matchi yi'cama nawena na nawe'ü rü nüna ütchicüa'ãgü</Traducao></row>
<row _id="10"><Texto Original>Começava ali um intercâmbio que duraria muitos anos e que, segundo Jelon, fez com que o breaking incorporasse vários movimentos da capoeira, entre os quais o pião de cabeça, o relógio e o pião de mão (nos quais o praticante rodopia apoiado em diferentes partes do corpo).</Texto Original><Traducao>Nhema naügü nhema intercambio i mucüma ya taunecü ya guü rü nhu'matchi Jelon nü i'ugu nhematchini i nhema capoeira i'ya güürãü i nacümama na ãeüü nhemagüni na taeruma i'dii, tame'ma i'dii ngeta nhema nagu maeü na i'na negü i guüma i naünegüma</Traducao></row>
<row _id="11"><Texto Original>A relação entre a capoeira e o breaking já foi citada pelo jornal The New York Times.</Texto Original><Traducao>Nhema na capoiera nhu'matchi breaking na nügüma na wüigi rü marü jornal The New York Timeswa natchiga ni deagü</Traducao></row>
<row _id="12"><Texto Original>Em 1989, Jon Pareles, chefe da editoria de artes do jornal, definiu a capoeira como "uma dança de artes marciais que antecipou o break dancing".</Texto Original><Traducao>1989gu Jon Pareles ga nama cua'cü i nhema editoria de arte i jornal arü nü niuna capoeira rü nhama"wüi yüü marciais i'üürüni i nhema yüü i breakpe'ena üüni</Traducao></row>
<row _id="13"><Texto Original>Mestre Jelon diz que chegou a ser descrito pela imprensa americana como o "pai do breaking", mas rejeita o título.</Texto Original><Traducao>Yima naeru ya Jelon rü marü imprensa i americanogü arüwa na naümatü na nhuãcüyii i nhema breakingnatü notürü tama na títulowa'e</Traducao></row>
<row _id="14"><Texto Original>"Eu não criei o break dance, mas contribuímos com ele", diz.</Texto Original><Traducao>Tama tcha naü i nhema yüü i break, notürü nüü tarü ngüe, nhãü</Traducao></row>
<row _id="15"><Texto Original>Para Jelon, ainda que o breaking moderno tenha surgido em Nova York, o esporte é "mais um presente da África para o mundo".</Texto Original><Traducao>Jelonca' wo'na nhema nhu'maü i breaking na Nova Yorkwa na naügü nhema i'ãwe'e rü wüi ãmare i Áfricaãü i guü i natchiüãnena</Traducao></row>
<row _id="16"><Texto Original>Ele diz ter reforçado sua convicção ao ver o documentário "The North Rejoices", de 1959.</Texto Original><Traducao>Nü niiuta na nhema ütamgü i "The North Rejoices", i 1959 arüü nadau rü yeeracü norü õ rü e'na norü inü na porae</Traducao></row>
<row _id="17"><Texto Original>Nele, moradores de uma aldeia na Nigéria executam vários movimentos semelhantes aos do breaking moderno.</Texto Original><Traducao>Nawa, wüine ya ianeacü ya Nigériawa nhemanewa nhema duugü nhema pegüü rü na naügü i'ya guürãü i nacümacü i nhama nhu'maü brekingma wüigugüü</Traducao></row>
<row _id="18"><Texto Original>Mas o papel da capoeira em Nova York vai bem além de sua influência no breaking.</Texto Original><Traducao>Notürü nhema capoeira arü popera i Nova Yorkwa rü nhema breakingwa nanguu arü yeerawa nangu</Traducao></row>
<row _id="19"><Texto Original>Uma pesquisa no Google hoje revela a existência de 22 academias de capoeira na cidade.</Texto Original><Traducao>Nheguma wüi dau i googlewa i'ü'gu i nhu'ma rü tüü na nawe' na nanhemaü 22 naguü i capoeiratchica' daa ianewa</Traducao></row>
<row _id="20"><Texto Original>Além disso, várias escolas públicas nova-iorquinas oferecem a modalidade - ago incomum em cidades brasileiras, segundo mestre Jelon.</Texto Original><Traducao>Nhema yeerawa rü yima ngue'patãügü ya guüeca'ma i iüne i nova-iorquinogü arü rü na naã i modalidade-ago i tauguma nüü i'dauü i Brasilcüã'gü arü nguepatãüwa nhãü ya nama cuacü a Jelon</Traducao></row>
<row _id="21"><Texto Original>Ele conta que a capoeira lhe abriu portas para que também se tornasse coreógrafo nos EUA.</Texto Original><Traducao>Nü niutana capoeirayiiü i nhema iã'gü naca' i wanãü na wui coreografoãiü i EUAwa</Traducao></row>
<row _id="22"><Texto Original>Jelon é fundador de uma companhia de dança (DanceBrazil), e já coreografou musicais da Broadway e filmes de Hollywood, como Brenda Starr (1989), estrelado por Brooke Shields, e Boomerang (1992), com Eddie Murphy.</Texto Original><Traducao>Jelon ninaüü i nhema wüi yüüetucumü (naega DanceBrazil), rü marü nhema wiayegü i Broadway nhuamtchi Hollywoodwa ni yüü nhama Brenda Starrrüü i (1989gu) nanügü na we'ü naca' i Brooke Shields rü nhu'matchi Boomerang i (1992gu) i Eddi Muphyma</Traducao></row>
<row _id="23"><Texto Original>Grandes feitos para quem chegou a Nova York aos 22 anos de idade sem falar inglês.</Texto Original><Traducao>Taüma tããeni tümaca' ya iema 22 arü taunecüã'gu Nova Yorkwa ngu'e tama inglêswa tideaãcü</Traducao></row>
<row _id="24"><Texto Original>Nascido em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, e criado por uma mulher negra, viúva e mãe de sete filhos, Jelon aprendeu capoeira aos 10 anos no Engenho Velho de Brotas, bairro de Salvador para onde a família se mudou na sua infância.</Texto Original><Traducao>Santo Amarogu nabu, Reconcavo Bahiacüa'güarügu nhu'matchi wüi a ngecü a waücü na na yãe, mama ya yute i setene'e, Jelon capoiera'ü nacua' na 10 arü taunecüã'gu i Engenho Velho de Brotaswa, wüi natchi'ca i Salvadorwa nge'ta nae rü nanatügü ta ngugü yeguma na bugu</Traducao></row>
<row _id="25"><Texto Original>Até que, durante a ditadura militar (1964-1985), uma notícia o chacoalhou: três amigos desapareceram após colar panfletos políticos nas ruas para ganhar uns trocados.</Texto Original><Traducao>Nhemamani yeguma tchuraragü porawa nhemagügu (1964-1985gu), wüi utchiga nüna yai'ãtchiãe: narütaue tamae'pü namücügü nawenana panfletogü i politicaarü namawa na decuü na nhemacü dieru na yaugüüca'</Traducao></row>
<row _id="26"><Texto Original>"Eu me revoltei com aquilo, disse 'não quero mais ficar no Brasil'.</Texto Original><Traducao>Nama tchanu i nhema, nhatachrügü "tama marü numa Brasilgu tcharü ã'uega</Traducao></row>
<row _id="27"><Texto Original>Eu lembrei que eu era capoeirista, e aquela era a minha única salvação", conta.</Texto Original><Traducao>"Nüna tchacua'ãtchi na yeguna na capoeiratchiiü, nhemaricatama yeguma tchõü i'põuü" Nhãü nü ya'uü</Traducao></row>
<row _id="28"><Texto Original>Jelon sabia de um grupo em Salvador que estava contratando capoeiristas para apresentações de cultura afro-brasileira no exterior, o Viva Bahia, coordenado pela etnomusicóloga Emília Biancardi.</Texto Original><Traducao>Yeguma Jelon rü nünacua' i wü natucumü i capoeiragüü contrataü na nhemacü i afro-brasileirogü cüma nawe'güüca' i exteriorwa, nhema Viva Bahia, i etnomusicóloga Emília Biancardi nama cua'ü</Traducao></row>
<row _id="29"><Texto Original>Ele fez um teste e passou.</Texto Original><Traducao>Yeguma wüi teste naü rü nhu'matchi' nangupetü</Traducao></row>
<row _id="30"><Texto Original>Em 1974, integrou uma expedição que tinha entre seus integrantes um dos capoeiristas mais conhecidos do Brasil na época, mestre João Grande, com quem seu caminho voltaria a se cruzar adiante.</Texto Original><Traducao>1974gu, wüi expeduçãowa ni ücu ngeta na nhemagüü i namücügü i capoeiragü iugüü i mea du¨gü nücua'eü i Brasilwa nhema nguneügu, yima nama cua'cü ya tacü João, nhemacü yicama weenaarü narü uü</Traducao></row>
<row _id="31"><Texto Original>A viagem incluiu apresentações em vários países da Europa e no Irã, na época uma monarquia comandada pelo xá Reza Pahlavi (1919-1980).</Texto Original><Traducao>Nhema viagem rü nawa nanhema na nünawe'gü i toomatchigü natchiüanecüã'güwa Europa rü nhu'matchi Irãwa, nhema nguneügu rü na nhema wüi monarquia i Xá Reza Pahlavi nama cua'ü i (1919-1980)</Traducao></row>
<row _id="32"><Texto Original>"Fizemos um show para família real e convidados.</Texto Original><Traducao>Wüi we' taügü naca' i família real nhu'matchi ngugütanüüca'</Traducao></row>
<row _id="33"><Texto Original>Era coisa de sonhos", ele recorda.</Texto Original><Traducao>"Yeguma rü nhama ãnegürüni", nüna nacua'ãtchi</Traducao></row>
<row _id="34"><Texto Original>No dia seguinte à apresentação para o xá, Jelon conta que o grupo se exibiu para o "povão" iraniano em um teatro lotado.</Texto Original><Traducao>To i'nguneügu na'caü Xáca' we' naügü'ü, Jelon nüiugu nhema natucumü rü nügü we' i duügüü i iranianogü i wüi teareo i aurima ããcuuwa</Traducao></row>
<row _id="35"><Texto Original>Ele diz que o público foi ao delírio quando os capoeiristas entraram em cena.</Texto Original><Traducao>Nüa uguã nhema duugüã rü ãurima natããegü yeguma capoeiragü i tchoügu</Traducao></row>
<row _id="36"><Texto Original>"Eles não estavam acostumados a ver homens sem camisa e ficaram doidos", conta.</Texto Original><Traducao>"Yerü tama nama niügü na yatüügü i ngetchi'rugüü na daugü' nhu'matchi nhemaca' nhema ngeãegü", nhãü</Traducao></row>
<row _id="37"><Texto Original>A viagem, porém, quase termina em tragédia: uma dançarina do grupo foi apedrejada ao caminhar por Teerã com um vestido que deixava o corpo à mostra.</Texto Original><Traducao>Notürü nhema viagemrü wiguta'a gutchãügu naya gu': wüie' i nhema i yü'üeitucumü nhemãe rü yema wüi Teerã i'mãtchiruü i naüne i ngõ'eü namawa rü nutama tüü i'namuutchi</Traducao></row>
<row _id="38"><Texto Original>Jelon diz que a jovem chegou a ser hospitalizada por causa dos ferimentos, mas se recuperou.</Texto Original><Traducao>Jelon nü i'gu yiema pa'e rü marüni hospitalawa tau nagagu i nhema o'ri notürü marü tarü me</Traducao></row>
<row _id="39"><Texto Original>Depois da viagem, Jelon deixou o grupo Viva Bahia e foi tentar a sorte em Nova York.</Texto Original><Traducao>Viagemwena, Jelon grupo Viva Bahiawa i'nauü nhu'matchi Nova Yorkwataa sorteü naü</Traducao></row>
<row _id="40"><Texto Original>Em 1975, ele abriu no bairro Soho, na ilha de Manhattan, o espaço que ele considera "a primeira escola de capoeira fora do Brasil".</Texto Original><Traducao>1975gu nhema natchi'ca Sohowa i Manhattan arü capãuwa nhema natchica nüma na cosideraü "nüirãü i capoeiraarü ngu'patãü Brasilarü tonamana"</Traducao></row>
<row _id="41"><Texto Original>Foi o início de uma carreira de sucesso - e que lhe deu uma condição financeira a que poucos mestres de capoeira poderiam almejar no Brasil.</Texto Original><Traducao>Ygeumarü nhema wüi meü norü puracü arü ügüni - i nüna naãü dieru na namãüca' yima noretama copoeiragüeru nüna nhema i nhema i Brasilwa</Traducao></row>
<row _id="42"><Texto Original>A BBC News Brasil entrevistou Jelon Vieira em Salvador em janeiro de 2024, durante o 5º Rede Capoeira, evento que homenageou mestres de capoeira com papel central na história da modalidade.</Texto Original><Traducao>Brasilarü BBC News rü Jelon Vieira'ü ni dea'egü i Salvador'wa i 2024 arü janeirogu, nhema norü 5ª capoeiragü arü ngutaque'egu, nhema ngupetütchica i ngeta yiam capoeiragüeruü na homenageia nama i norü poracü i ngaüwa nhemaü nawa i natchiga i nhema iãwa'e</Traducao></row>
<row _id="43"><Texto Original>Como Jelon, alguns dos homenageados decidiram deixar o Brasil em busca de melhores condições.</Texto Original><Traducao>Jelonma, nümagü yima homenageadogücü Brasilna i'natchõu na nhemacü naca nadaugüca' i norü megü</Traducao></row>
<row _id="44"><Texto Original>E para um antigo companheiro de Jelon ali presente, a viagem à Bahia tinha um sabor especial.</Texto Original><Traducao>Cü yima nucümãücü Jelonmücü nhema nhemacüca', nhema viagem i Bahiawa rü nü'na nhema norü metchiga</Traducao></row>
<row _id="45"><Texto Original>A tarde caía em Salvador, e uma multidão de capoeiristas aguardava em uma tenda ao lado do Mercado Modelo por uma das atividades mais esperadas do evento, classificado pelos organizadores como "o maior encontro de capoeira de todos os tempos".</Texto Original><Traducao>Salvador'wa ya'uanecü cü' nhema muüma copoeiragü i'nangu'etaegü wüi natchica i Mercado Modelocüwawa' naca' i wüi puracü i nhema ngupetütchiwa ii'yangu'egüü i nhema nama cua'ei meegüü nhama wüi taüma i capoeiragüarü itaque'rü i noriama taguma ngupetü</Traducao></row>
<row _id="46"><Texto Original>"Filho, vem ver, é mestre João Grande", uma mulher sussurrou enquanto o público abria passagem para um homem negro com as costas envergadas pela idade.</Texto Original><Traducao>"Numa i'yadau pa tchaune, rü taeru ya tacü Yuãuni", wüie' a ngecü bema i'dea' nheguma duugü nama i'wanagüya'ni naca' ya yima yatü ya wa'üc'ü norü taunecügagu büca'wecü</Traducao></row>
<row _id="47"><Texto Original>Aos 91 anos, João Grande voltava para a mesma Bahia que o "expulsara" na década de 90, quando, incapaz de sobreviver da capoeira ali, seguiu os passos de Jelon Vieira e também se mudou para os Estados Unidos.</Texto Original><Traducao>91 arü taunecügu, yima tacü ga Yuãu wena Bahiaca' na ya ta'egu ngeta i ya taunecü ya 90gu nüü i'na muutchi'gü nheguma tama meã nüna cua'gu na nhuacütchi nhema nügü na maeü capoeirama, yeguma rü nhema Jelon vieira nagu i uü i namagutama ni'u nhu'matchita rü Estadis Unidoswa' na'u</Traducao></row>
<row _id="48"><Texto Original>Desta vez, porém, ele era a grande estrela do evento - e motivo pelo qual muitos haviam viajado de diferentes partes do país até Salvador.</Texto Original><Traducao>Nhu'ma nhaagu, notürü, yeguma nümarü wüi taüma i ãegacü'cü yatüni i nawa nhema ngupetütchiga - nagagu na mue'pü'cünama na viajeü i nawa ya nãigüamatchigü ya natchiüane nhu'mata Salvador'wa</Traducao></row>
<row _id="49"><Texto Original>Queriam ver, em carne e osso, um personagem que só conheciam de filmes, livros e músicas.</Texto Original><Traducao>Nü pedautchãü, ãmatchiü rü ãtchinã'ü, wüi duuü i filmewaricatama, livrowa'ricatam nhu'matchi musicawa'rticatam nü pe daugüü</Traducao></row>
<row _id="50"><Texto Original>Ao lado de alunos estrangeiros, todos fluentes em português, João Grande deu uma oficina ao grupo.</Texto Original><Traducao>Nhema nguetanügü i to natchiüãnecüa'gü, guüma meãma portuguêswa ni deagü, yima tacü Yuãu wüi ngu' nhema natucumü na naã</Traducao></row>
<row _id="51"><Texto Original>Movia-se com agilidade, indicando com as mãos como os movimentos deveriam ser feitos.</Texto Original><Traducao>Poraeacüma ni ugücü, ni uneme'ecü na nhuacütchi nhema nacüma a uü</Traducao></row>
<row _id="52"><Texto Original>Depois, sentou-se e respondeu com sorrisos e acenos às homenagens dos participantes.</Texto Original><Traducao>Nhemawena, i'narüto nhu'matchi cuetchaãcü na nangãü nhu'matchi na pome'tae na yiema nhema nhemagüe tü na homenageiaü</Traducao></row>
<row _id="53"><Texto Original>"Parece que estou no céu", ele disse à BBC dias depois, na casa espaçosa em Salvador em que se hospedou durante a estadia.</Texto Original><Traducao>"Tchamaerüna dauwa tcha nhema", yicama to i'nguneügu rü nhanarügü BBC'i nawa ya yima ipata ya taütchi'ne ya nagu na peine</Traducao></row>
<row _id="54"><Texto Original>"Todos me tratam bem aqui, todos me ajudam", afirmou.</Texto Original><Traducao>"Guüma meam tchoü na yaugü i numa, guüma tchõü narü ngüegü", nhaü na nü'yauü</Traducao></row>
<row _id="55"><Texto Original>Um cenário bastante distinto do que ele enfrentara ao longo de boa parte de sua vida.</Texto Original><Traducao>Wüi tomarãü we' i marü nawa nangutüü arü yee i norü maüwa</Traducao></row>
<row _id="56"><Texto Original>Nascido em Itagi, no interior da Bahia, em 1933, João Oliveira dos Santos se mudou para Salvador na juventude e trabalhou como empregado doméstico de uma família.</Texto Original><Traducao>Itagigu nabu, Bahia arü interiorwa i 1933gu João Oliveira do Santos yeguma na ngetü'ügu rü Salvador'gu na yape rü nhu'matchi nhema napuracü wüi familiãü</Traducao></row>
<row _id="57"><Texto Original>Em troca dos serviços, não recebia dinheiro, só comida e roupas.</Texto Original><Traducao>Yeguma na natroca'gu i no'rü puracü, taguma dieru nayau, rü õnarica rü nhu'matchi natchirurica, nhemacü nhema capoeira i wüi natchi'arü i naeru Bimbaüü (1900-1974gu) nhema gutchaügü rü paamani nhu'matchi nhema o'ri i nacutüwa rü narü o</Traducao></row>
<row _id="58"><Texto Original>Depois, trabalhou em um depósito de cachaça, transportando a bebida "na cabeça, no jegue, entregando nos armazéns".</Texto Original><Traducao>Nhema we'na, de'arü nutchi'cawa na puracü, de arü nugüwa "naeruwa, jeguewa, rü nor6u nutchi'cagu na ya nuaü</Traducao></row>
<row _id="59"><Texto Original>João Oliveira dos Santos só virou capoeirista depois de conhecer Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha (1889-1981), considerado o pai da Capoeira Angola.</Texto Original><Traducao>Yeguma Vicente Ferreira Patinhaü na cua'gumawenani João Oliveira dos Santos capoeiraaiü, yima naeru Pastinha (1889-1981gu) na capoeiranatü aiü i Angolawa</Traducao></row>
<row _id="60"><Texto Original>Nessa vertente, o jogo costuma ser mais cadenciado e próximo do chão, ao passo que na Capoeira Regional, criada por mestre Bimba (1900-1974), os golpes são normalmente mais rápidos e desferidos em pé.</Texto Original><Traducao>Nhaãwa', nhema nhagütae rü nagu na ãcüma na mea a uü nhu'matchi' waimüna nhatüanena nangaicamãü nhemaca' nhema capoeira regionalwa' i nama chã'cü Bimba (1900-1974gu) üü nhema gutchãügü rü paama nangupetügüü nhu'matchi nhema o'ricutü rü narü o</Traducao></row>
<row _id="61"><Texto Original>Mestre Pastinha ensinou capoeira ao jovem itagiense e o escolheu como um de seus discípulos ao lado de outro aluno, João Pereira dos Santos (1917-2011).</Texto Original><Traducao>Naeru ga Palestinha rü yima nge'tü'ügücü i Itagiensegüü capoeiraca' na nguee rü nhu'matchi to norü nguetanücüwawa' nüna uneta namücüruü, João Pereira dos Santos (1917-2011)</Traducao></row>
<row _id="62"><Texto Original>Um virou João Grande, e o outro, João Pequeno.</Texto Original><Traducao>Wüi tacü João niu, tona'cü, João i'racüü</Traducao></row>
<row _id="63"><Texto Original>Na época, João Grande tinha de conciliar a capoeira com outras atividades para pagar as contas.</Texto Original><Traducao>Nhema nguneügu, tacü João rü capoeira nayau i to puracüma na nhemacü norü ngetanü naütanüca'</Traducao></row>
<row _id="64"><Texto Original>Em 1958, ele diz ter passado três meses como operário na construção da rodovia Belém-Brasília.</Texto Original><Traducao>1958gu nü ni'u na puracüü ya tamaepü' ya tawemücü nawa i nama i Belém-Brasiliawa daüwa</Traducao></row>
<row _id="65"><Texto Original>Em depoimento na tese "Mestre João Grande entre a Bahia a Nova York", com que Maurício Barros de Castro obteve o título de Doutor em História pela USP, em 2007, João Grande conta como praticava capoeira durante a obra.</Texto Original><Traducao>Norü tesewa rü nü ni'u "naeru ya tacü João nama i Bahia rü Nova York", nge'ta Marício Barros de Castro na ya'uwa i norü Duturupane nawa i Historia i USPwa, 2007gu, tcaü João nü ni'u na nhuacü capoeira na üüü nheguma i'na puracümama</Traducao></row>
<row _id="66"><Texto Original>"Treinava sozinho com as moitas e com os bichos", disse.</Texto Original><Traducao>"Moitagüma rü ngo'ogüma nüica'tama na treina'ü", nhãü</Traducao></row>
<row _id="67"><Texto Original>A experiência o remeteu à infância na roça, em Itagi, quando passava horas assistindo às danças de peixes e aves.</Texto Original><Traducao>Nhema norü cua' rü nüna nü cua'ãtchie i norü buna i naanewa, i Itagiwa', ngeta düi'nadaweüüwa i nhema tcho'nigü arü yüü rü nhu'matchi weri'güarü</Traducao></row>
<row _id="68"><Texto Original>Maravilhado com a capacidade que os bichos tinham de se mover sem jamais tocar uns aos outros, levou isso para sua capoeira anos depois.</Texto Original><Traducao>Nama na tããe nhemana nhema naünagü yeguma ni i'ãtanücü'gu na tama togüma narü bumüü, nhema rü nhema nacüma rü norü capoeiraca' naya nge</Traducao></row>
<row _id="69"><Texto Original>À BBC João Grande filosofa sobre essas conexões.</Texto Original><Traducao>BBCwa tacü a João rü natchigagu ni dea' i nhema norü conexão</Traducao></row>
<row _id="70"><Texto Original>"Capoeira é natureza.Tudo o que nós temos, dado por Deus, sai da capoeira, sai da natureza", afirma.</Texto Original><Traducao>"Capoeira rü naturezani. Guüma nhema tü nhemaü, tupana tüna ãü, capoeirawa ina uü, naturezawa i'nauü", nhanagürü</Traducao></row>
<row _id="71"><Texto Original>"Um pé de mato me ensina a jogar, um bicho ensina como é sua ginga", ele diz.</Texto Original><Traducao>"Wüi naitchuma'ã tchõü nü na cua'ee na tcha nhagütaeü, wüi naüna na nhunhãü i norü a", nhaü</Traducao></row>
<row _id="72"><Texto Original>Anos depois de trabalhar na construção da rodovia, João Grande acompanhou mestre Pastinha numa viagem de grande simbolismo na história da capoeira.</Texto Original><Traducao>Yeguma rodoviarü üwa ta puracüguwe'na, tacü João rü naeru Partinhaü i'niümücü nawa i nhema wüi taüma viagem i capoeiratchigawa'</Traducao></row>
<row _id="73"><Texto Original>Nela, brasileiros exibiram a modalidade no Festival de Artes Negras em Dakar, no Senegal, em 1966 - em viagem citada na música Triste Bahia, de Caetano Veloso ("Pastinha já foi à África/pra mostrar capoeira do Brasil").</Texto Original><Traducao>Tümawa, Brasilcü'ãgü rü Peta i Artes Negrogüarüwa i Dakarwa nügü nawe'gü, i Senegalwa i 1966gu - wüi wiaye i Triste Bahia i viagewa nagu ya deagüü i Caetano Velosoarü ("Patinha rü marü Africawa' nau/na nhema Brasil arü Capoeira nawe'ü")</Traducao></row>
<row _id="74"><Texto Original>Também integravam a comitiva brasileira o músico Paulinho da Viola, a ialorixá Olga de Alaketu e a cantora Clementina de Jesus, entre outros artistas afro-brasileiros.</Texto Original><Traducao>Ta nhema brasileirogü i wiyaetucumü i Paulino da Violani ücu, yiema ialorixá Olga de Alaketu nhu'matchi yiema wiyaeruü Clementina de Jesus rü togüama i artistagü i afro-brasileiro iigügü</Traducao></row>
<row _id="75"><Texto Original>João Grande diz que, na viagem, Pastinha fazia questão de destacar a origem africana de sua arte.</Texto Original><Traducao>Tacü João rü nhanagürü, nhema viagewa, Pastinha rü na naü na ngo'eü na nhema norü ü na Africacü'agüwa' yiü nhe ne nauü</Traducao></row>
<row _id="76"><Texto Original>"Ele dizia: 'isto é capoeira de vocês (africanos) que agora está com a gente lá, no Brasil'".</Texto Original><Traducao>"Nhagürü: Nhemani perü capoeira (africacü'agü) nhema nhu'ma toütawa nhemãü ye'a Brasilwa</Traducao></row>
<row _id="77"><Texto Original>Alguns africanos reagiam com surpresa, e outros reconheciam semelhanças entre a capoeira e danças locais, conta João Grande.</Texto Original><Traducao>Nümãü africacü'agü rü na bã'iatchie nhu'matchi nhema togü rü nü nacua'gü na nawüigu nama nhema capoeira nhu'matchi nhema nhemaarü yüü, nhãü tacü João</Traducao></row>
<row _id="78"><Texto Original>Embora haja algumas teorias divergentes, a maioria dos estudiosos da capoeira afirma que a modalidade de fato tem raízes africanas.</Texto Original><Traducao>Naetüwa na nanhemãü nümaü inügü ya guürãü, nhema rü mumaeü i capoeira arü nguetanügü rü nü niugüe na nhema nacüma aicuma nü'nanhema i natchu'ma'a i africanagüarü iiü</Traducao></row>
<row _id="79"><Texto Original>"Quem inventa a capoeira são os africanos aqui no Brasil: uma mistura étnica de diversos grupos que vão se compor aqui e que vão fazer essa invenção", defende Antonio Liberac, capoeirista e professor titular de História da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.</Texto Original><Traducao>"Africanogüni capoeiraügü numa Brasilwa: yema ya guurãü natucumüni nhema nügü nutaque'güü na nua na naügüca'" Antonio Liberc i'napõü'ü, copoeiraiicü rü nhu'matchi historia arü ngueetaeruüiicü i Universidade Federal do Recôncavo da Bahia</Traducao></row>
<row _id="80"><Texto Original>Mas se africanos criaram a capoeira no Brasil, diz Liberac, foram brasileiros descendentes de africanos que deram à modalidade a roupagem atual com que ela ganhou o mundo - e entre eles, João Grande.</Texto Original><Traducao>Notürü nhegumatchi numa Brasil africanogü capoeira ügügU, nhãü Liberac, nhema brasileirogü i Africano nanegü i na ütchi'ru nhema nhu'maü i guüma natchiüanewa nguü yimani norü wüi, tacü a João</Traducao></row>
<row _id="81"><Texto Original>"É um mestre espetacular, um dos principais responsáveis pela manutenção da tradição dessa capoeira do século 20", diz Liberac.</Texto Original><Traducao>"Rü wüi a naeru ãuri'ma mecüni, rü yima norü wüi ya namewa na nhemacü na nhema nacüma na nhamarüta namaüü i nha nguneügü i seculo 29gu", nhãü Liberac</Traducao></row>
<row _id="82"><Texto Original>Para a etnomusicóloga Emília Biancardi, que conviveu com João Grande nas expedições do grupo Viva Bahia nos anos 1970, ele "é um dos únicos que realmente têm ainda uma verdade dentro da tradição que recebeu dos antepassados".</Texto Original><Traducao>Emília Biancardi a etnomusicólogaca'te'e ya tacü João'ü dau'e i natucumü Viva Bahiawa i 1970, nüma rü wüi yatü i aicuma norü ai'epewa na nayauü i nhema nacüma i norü ya'gua'güarü iiü</Traducao></row>
<row _id="83"><Texto Original>Mas a fama e o talento como capoeirista não garantiram a João Grande uma vida confortável em Salvador.</Texto Original><Traducao>Notürü nhema fama rü nhu'matchi nhema cua' na capoeiraiü tama na nagarante i wüi meü mãü ya tacü Joãoãü i Salvador'wa</Traducao></row>
<row _id="84"><Texto Original>As aulas e apresentações rendiam cada vez menos dinheiro, e ele chegou a ter de trabalhar como lavador de carros em um posto de gasolina.</Texto Original><Traducao>Nhema ngugü rü nhu'matchi nhema na nügü nawe'güü rü tama aicuma dieru nüna naã, nhemaca' rü nawa' nangu na napuracü nawa' i carrogü arü yaugü i postos de gasolinawa</Traducao></row>
<row _id="85"><Texto Original>Em 1990, depois de anos de penúria, decidiu emigrar para os Estados Unidos.</Texto Original><Traducao>1990gu yeguma tauma nüü nhemaguwe'na, rü Estados Unidoswa nau</Traducao></row>
<row _id="86"><Texto Original>Ao se mudar para Nova York, que já visitara a convite do antigo parceiro Jelon Vieira, João Grande conseguiu viver só de capoeira e ganhou um reconhecimento que jamais tinha obtido no Brasil.</Texto Original><Traducao>Na Nova Yorkwana nauü rü marü nhema namücü ya nucümaücü Jelon Vieira arü u i'niyadau, tacü João rü capoeiragu rica namãü nhu'matchi na nagaiãri wüi cuatchãü i taguma Brasilwa nü nhemaü</Traducao></row>
<row _id="87"><Texto Original>Em 2001, ele recebeu da agência do governo americano National Endowment for the Arts o National Heritage Fellowship, descrito pelo órgão como "a mais alta honraria da nação em artes folclóricas e tradicionais".</Texto Original><Traducao>2001gu nhema Agencia i National Endowment for the Arts o National Heritage Fellowship i governo Amaericano arü iiüwa na nayau, i ümatü nhama wüi me i nawa i folclóricagü nhu'matchi capoeiragü</Traducao></row>
<row _id="88"><Texto Original>"Estamos muito felizes e orgulhosos de que ele faça parte da nossa cultura", disse o apresentador do prêmio antes de entregá-lo ao capoeirista.</Texto Original><Traducao>"Aurima ta taãegü rü meegü na nhema tacümatanüwa na nanhemãü" nhãü i nhema ãmare arü we'ruü naüpa na yima capoeirana na ãü i nhema</Traducao></row>
<row _id="89"><Texto Original>João Grande disse à BBC que, ao se mudar para os EUA, queria evitar um final de vida parecido com o de seu mentor, mestre Pastinha, morto em 1981.</Texto Original><Traducao>Tacü a João rü nhanagürü i BBC'ü na EUAwa nauü, na nawa'e na norü maüna nanadauü nawa nhema mãü ya yima norü ucu'eruüma wüigucü'rãü'ü, naeru ya Pastinha, ya yucü' i 1981gu</Traducao></row>
<row _id="90"><Texto Original>Cego, solitário e sem dinheiro, o criador da Capoeira Angola passou seus últimos dias morando de favor num quarto úmido e escuro do Pelourinho.</Texto Original><Traducao>Nge'etüü, nüicatama iiü nhumatchi ngearü dieruãü, yima capoeira ügücü i Angolawa rü nhema norü gu'gü nguneügügu i Pelourinhowa rü wüi natchi'ca i waiweaneügumare na nape' rü nhu'matchi wamatchiãügu</Traducao></row>
<row _id="91"><Texto Original>"Fiquei muito triste por não ter um recurso para ajudar ele", diz João Grande.</Texto Original><Traducao>"Aurima tcha ngetchaü na tchõu natauuma na nhuacü na nüü tcharü ngüe'ü" nhãü a tacü a João</Traducao></row>
<row _id="92"><Texto Original>Ao conceber o 5º Rede Capoeira para homenagear os velhos mestres, Jair Oliveira Júnior, o mestre Sabiá, disse que queria estimular uma reflexão sobre como o Brasil trata os pioneiros da modalidade.</Texto Original><Traducao>Na nhema norü 5º i capoeiragü arü ngutaque'e na yauü naca' na yima naerugü ya yagücüü na homenageiaüca', Jair Oliveira Junior, yima naeru Sabiá, rü nü niu rü nhumatchi nagu narü inü na nhuacü Brasil nhema nüirãügü i modalidadema na cua'</Traducao></row>
<row _id="93"><Texto Original>Entre os capoeiristas homenageados pelo evento - 14 deles acima dos 80 anos -, vários hoje enfrentam dificuldades financeiras, segundo ele.</Texto Original><Traducao>Yima capoeiragütanüwa homenageadogücü nhema ngupetü tchigawa' rü norü 14 rü nüna nhema 80 arü taunecü, nhu'ma rü ya guürãü i gutchãüwa na nhemagü i norü dierugüwa, nhãü</Traducao></row>
<row _id="94"><Texto Original>"Desde criança eu sempre via todos esses mestres em situações extremamente fragilizadas no final do seu ciclo de vida, e sempre se fazia uma vaquinha para pagar o enterro ou para dar algum tipo de assistência médica, comprar remédio", ele conta à BBC.</Texto Original><Traducao>"Yeguma tcha bugucürüwa' nü tcha dau ya yima naerugü na aurima gutchãüwa na nhemagü i nhema maü arü gu'güwa' guüguma dieruca' itchaca na nhemacü na na tcha ütanüca' nheguma na ta'gügU rü e'na na nhemaüca' na nhemaütchi i mediogü arü dau, rü e'na üü arü taeca'" na BBCma nü ya uü</Traducao></row>
<row _id="95"><Texto Original>Não por acaso, diz Sabiá, até hoje muitos mestres resolvem sair do Brasil.</Texto Original><Traducao>Tama ngürüãcümareni, nhãü Sabiá, nhamarüta mucüma ya naerugü Brasilwa i'natchõu</Traducao></row>
<row _id="96"><Texto Original>Segundo o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), hoje mais de 150 países têm grupos de capoeira, muitos deles liderados por brasileiros.</Texto Original><Traducao>Iphanarü orewa (Instituto de Patrimonio Histórico e Artístico Naciona), nhu'ma rü 150 mani natchiüanecüã' i capoeira nü nhemãü' notürü nhema rü mumaeü rü Brasileirogüni nama cua'ü</Traducao></row>
<row _id="97"><Texto Original>Em vários desses países, a capoeira também está presente em escolas, e universidades convidam mestres brasileiros a lecionar em universidades - status que a modalidade nunca alcançou no Brasil.</Texto Original><Traducao>Nhema muüma natchiüanecüã' capoeira rüta escolawa na nhema nhu'matchi universidadegüwa' rü yima naerugü i brasileirogü iigücüna na ugü i Universidadegüwa' - natchiga i nhema modalidade i taguma brasil nü yanga'u</Traducao></row>
<row _id="98"><Texto Original>Por esses motivos, ao longo do evento em Salvador, vários participantes cobraram políticas públicas que amparem os mestres no fim de suas vidas e os encorajem a permanecer no Brasil.</Texto Original><Traducao>Nhemagagu nhema ngupetütchiwa i Salvador muüma i nhema nehmagüü rü politica publicaü na cobragü na nhemacü na yima naerugüüttchi narü ngüegüüca' i nheguma norü marü guwa na ngugu na naporaegüca'tchi na Brasilwatama na nhemagüüca'</Traducao></row>
<row _id="99"><Texto Original>"Esses caras não são só mestres, eles são heróis, porque venceram contra tudo e contra todos, e o mínimo que a gente poderia fazer era devolver a dignidade a eles", defende Sabiá.</Texto Original><Traducao>"Yima yatügü rü tamani naerugüricatama yaigüü rü ta yatügü poreigünigü erü nacü güü na gaiarie rü ta guãüma narü yie, nhemaca nhma iraütchi iügüü rü nhemani na naca'gütchi na taegueü i nhema poragü i meügü" nhãü a Sabiá</Traducao></row>
<row _id="100"><Texto Original>A BBC questionou a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre as cobranças de capoeiristas por políticas voltadas aos velhos mestres, como uma espécie de bolsa que os sustente no fim da vida.</Texto Original><Traducao>BBc rü Ministra i Cultura Margareth Menezesü nautchie' natchiga nhema capoeiragü arü tuchie' i naca' ya yima naerugü ya marü yagücü, na nhemacütchini bolsa nüna naãü na nhemacü na nügü na maeeüca nhu'mata norü maügü arü gu'gu</Traducao></row>
<row _id="101"><Texto Original>Em entrevista em seu gabinete, em Brasília, a ministra disse considerar a capoeira "um dos grandes legados da cultura brasileira".</Texto Original><Traducao>Rü entrevista i norü totchicãüwa ngupetüüwa i Brasíliawa yiema minstra rü nütiu na capoeiraü na ta consideraü "rü wüi brasileirogücüma i taütchiimani"</Traducao></row>
<row _id="102"><Texto Original>Menezes afirmou, no entanto, que "o Ministério da Cultura não tem (a possibilidade) de fazer uma ação direta, de fazer um tipo de bonificação".</Texto Original><Traducao>Menezes rü nüti'u noürü "Nha Ministerio da Cultura rü na tauma (i norü pora) na naüü i wüi pora i wicanama iiü natchi na naüü i bonificação"</Traducao></row>
<row _id="103"><Texto Original>A solução, segundo ela, seria a aprovação de um Projeto de Lei que busca a "proteção e promoção dos Mestres e Mestras dos Saberes e Fazeres das Culturas Populares".</Texto Original><Traducao>Nhema solução tümarü orewa'nacü tchi na nhemaü wüi aprovação i wüi projeto i na ümatüü i mugü na naca' na dau i nhema na nhuacü "nüna i dauü nhumatchi nürü ngüegüü ya yima naerugü yatügücü rü ngecügü i faecü i cua'gü i nha tacümawa nhemaü"</Traducao></row>
<row _id="104"><Texto Original>O PL 1176, de 2011, está tramitando no Congresso e prevê, entre outros pontos, a concessão de bolsas e premiações para grandes mestres de diversas tradições populares, entre as quais a capoeira.</Texto Original><Traducao>Nhema mugü PL 1176 i 2011arü rü ngutaque'ewa marü nanhema rü nhu'matchi nü i'nadau i toomatchigü i nhemaü, nhemani i bolsa naãgüü rü nhu'matchi i nhema tagüma i ãmaregü nüna ya yima naerugü i ya guürãü i nacümagüarü ngeta ta ni ücuü i capoeira</Traducao></row>
<row _id="105"><Texto Original>"O que nós podemos fazer é buscar com que o Congresso se sensibilize para que essa lei tramite logo", disse a ministra.</Texto Original><Traducao>Ministra rü nhatarügü "ta'cüta iügü'ü rü nameni na naca' ya daugü na nhemacü i nhema congresso na nagu narü inüü na paama nanaüüca' i nhema mugü"</Traducao></row>
<row _id="106"><Texto Original>Ela afirmou ainda que outro objetivo de sua gestão é fazer com que artes da cultura popular - incluindo a capoeira - sejam ensinadas em escolas que adotem o ensino integral.</Texto Original><Traducao>Rü nü tiutana naca' i'tadauü na nhema artesgü i nha tacümagü arü na yaücuüca' nhumatchi naca' na ngueüca nawa i nhema ngu' i integralgu aegaü i nguepatãügüwa' nhemaü</Traducao></row>
<row _id="107"><Texto Original>O pleito, segundo Menezes, está sendo tratado com o Ministério da Educação.</Texto Original><Traducao>Nhema nugü, Menezes arü orewa, Ministerio da Educaçãoma rü marü natchiga i'nideagü</Traducao></row>
<row _id="108"><Texto Original>Por ora, diz o mestre Jelon Vieira, há poucos incentivos para que capoeiristas que encontraram reconhecimento no exterior voltem a morar no Brasil.</Texto Original><Traducao>Nhu'ma naeru ya Jelon Vieira rü nhanagürü na ira'ütchi i ucu'egü naca' i nhure capoeiragü i to natchiüanewa nhemaca' rü Brasilca'tama nayawoegu</Traducao></row>
<row _id="109"><Texto Original>Em 2008, sete anos depois de João Grande ser agraciado com o National Heritage Fellowship, Jelon foi convidado à Casa Branca para receber o mesmo prêmio.</Texto Original><Traducao>2008gu, sete arü taunecüguwe'na tacü joão rü National Heritage Fellowshipma na taãe, Jelon rü casa brancawa naca' nacagü na nhema ya yauãüca' i norü ãmare</Traducao></row>
<row _id="110"><Texto Original>Na cerimônia, ouviu que ele era um "tesouro" para a cultura dos EUA.</Texto Original><Traducao>Nhema ngupetütchigawa, nüna inü na nhama wüi "meetchiürüyii naca' i nhea EUAgücüma</Traducao></row>
<row _id="111"><Texto Original>Jelon descreve o que sentiu naquele instante.</Texto Original><Traducao>Jelonrü na nawümatü nhema nagu narü inüü i nhema nguneügu</Traducao></row>
<row _id="112"><Texto Original>"Na minha cabeça veio: 'eu gostaria de ser o tesouro nacional do Brasil', ele conta.</Texto Original><Traducao>"Tchaueruwa ne na nau: tcha nawe'itchin wüi nhama wüi i ta'cü i meetchirüütchiü i Brasilwatama'"nhãü na nüauu</Traducao></row>
<row _id="113"><Texto Original>"Afinal, eu me sentia um embaixador cultural, eu estava levando a cultura baiana e brasileira para o mundo", ele diz.</Texto Original><Traducao>"Norü gu'gu, nhema nguneügu rü tchaugü tcha cua' na wüi nacümagüma cua'ü tchiiü, erü guü i natchiüaneca' tchaya nge i nhema baianogücüma rü nhu'matchi brasileirogücüma" nhãü</Traducao></row>
<row _id="114"><Texto Original>Na célebre Chiclete com Banana, gravada por Jackson do Pandeiro em 1959, os compositores Gordurinha e Almira Castilho prometeram só botar "bebop no meu samba quando Tio Sam tocar um tamborim".</Texto Original><Traducao>Nhema Celebre Chiclete com Bananawa i Jackson do Pandeiro gravaü i 1959gu yima na ümatügücü Gordurinha rü nhu'matchi Castilho rü na nauegugü na nayaücutchigü " bebop i tchirü sambawa nheguma tutü Sam wüi tuu paü'gu</Traducao></row>
<row _id="115"><Texto Original>O berimbau, ele já está aprendendo a tocar.</Texto Original><Traducao>Yima berimbau, nüma rü marü norü paüü nacua</Traducao></row>
</data>
